Hospital Oncológico Infantil mobiliza voluntários e aumenta número de doações de sangue em meio à pandemia

Em dois meses de campanha, foram conquistadas mais de 200 doações direcionadas à unidade

Desde o início da pandemia da Covid-19 e a detecção dos primeiros casos da doença no Pará, pelo menos dois números passaram a ser acompanhados diariamente pelo Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, gerenciado pela Pró-Saúde em Belém, unidade que é referência para o tratamento de crianças e adolescentes com câncer.

O primeiro é o acompanhamento do número de casos e do avanço da doença, já que as crianças em tratamento no hospital, que pertence ao Governo do Estado, fazem parte de um dos grupos de risco para o novo coronavírus. Já o segundo, está relacionado ao quantitativo de doações de sangue direcionadas ao hospital, que acabaram diminuindo nesse período.

Em relação ao novo coronavírus, a unidade adota, desde o início da pandemia, medidas de controle como isolamento e distanciamento social, uso obrigatório de máscaras e higienização das mãos, com diversas ações voltadas para pacientes, familiares e acompanhantes, além de campanhas de conscientização.

Já para reverter o número decrescente de doações de sangue, o Hospital Oncológico Infantil iniciou, ainda no mês de maio, uma campanha junto aos seus colaboradores e voluntários que exerciam atividades na unidade antes da pandemia, para participar das caravanas solidárias de doação de sangue.

Em parceria com a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia – Hemopa, o Hospital ampliou a quantidade de caravanas para doação de sangue, contando principalmente com a participação de grupos de voluntários. Nos últimos dois meses, o aumento de doações chegou a quase 60%, comparado aos números de março e abril, período de pico da pandemia no estado.

Atualmente, mais de mil crianças e adolescentes estão em tratamento no Hospital Oncológico Infantil. Em 2019, cerca de 335 bolsas de sangue foram utilizadas por mês na unidade e, para compensar esse uso, o hospital precisa direcionar ao Hemopa, pelo menos a metade desse quantitativo com doadores.

Além de ajudar o Hemopa a manter um estoque seguro de sangue, as caravanas com voluntários do Hospital também têm garantido os atendimentos às crianças que precisam de transfusões de hemocomponentes. Isso é comum durante o tratamento oncológico e pode salvar vidas, como explica o farmacêutico bioquímico da Agência Transfusional do Oncológico Infantil, Marcio Pires.

“As bolsas de sangue que chegam para nossos pacientes podem ser fracionadas e os hemocomponentes como concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado são utilizados de acordo com a necessidade de cada paciente e com o peso dele. Então, aquela doação de sangue padrão que salvaria até quatro vidas, no tratamento de crianças, pode salvar ainda mais”, diz Márcio Pires.

Compromisso com a vida
Impossibilitados temporariamente de atuar dentro hospital, em decorrência das medidas de segurança, os voluntários encontraram na doação de sangue uma forma de manter a ligação com as crianças.

Com um grupo formado para doar sangue neste sábado (25), a voluntária Leila Chagas reforça essa missão. “As caravanas são uma forma de nos unirmos em torno do amor ao próximo e da vida. Enquanto não for seguro voltarmos ao hospital, essa será uma das formas de ajudarmos as crianças”, diz Leila que, além da mobilização para doação de sangue, também busca ajudar arrecadando alimentos e kits de higiene para entregar às famílias das crianças.

Elton Sacramento faz parte de um dos grupos de voluntários religiosos da Pastoral da Saúde do Oncológico Infantil. Para ele, a doação de sangue é um compromisso com a vida. “O evangelho nos diz que devemos valorizar a vida em todas as suas fases, por meio da solidariedade e do amor. Diante dessa possibilidade de salvar as vidas das crianças, escolhemos a doação de sangue” conta Elton.

Sobre o Hospital
Inaugurado em 2015, o Oncológico Infantil foi a primeira unidade púbica de saúde da região Norte dedicada exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes com câncer. Ano passado, o Hospital se tornou o primeiro na rede pública do país, com atendimento em oncologia pediátrica, a conquistar a certificação ONA 3 – Acreditado com Excelência, nível máximo de reconhecimento concedido pela Organização Nacional de Acreditação, entidade respeitada e com atuação nacional responsável pela avaliação dos serviços de saúde do País, destacando os melhores resultados de gestão, qualidade e segurança voltados ao paciente.

Sobre a Pró-Saúde
Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 24 cidades de 12 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.