Planos terapêuticos reduzem erros e aumentam a qualidade de cuidados

As falhas em estabelecer diagnósticos corretos, e em tempo hábil, para problemas de saúde, estão hoje entre os maiores e mais atuais desafios para os hospitais – numa escalada que já apontou, nos últimos 15 anos, vários outros gargalos, como a necessidade de redesenho de processos de cuidados em saúde, o uso eficaz da tecnologia da informação, a gestão de conhecimento e de equipes e as mortes evitáveis por erros humanos.

Frente a esse problema, o fortalecimento da governança clínica, por meio de ferramentas como o planejamento terapêutico individualizado e com foco multidisciplinar, além da gestão de protocolos clínicos, surge como medida urgente para a garantia de avanços. É o que tratou a palestra ‘Plano Terapêutico: gestão e segurança da assistência’, realizada na última semana no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), em Belém. O tema foi tratado pelo médico Fernando Paragó, consultor corporativo em segurança do paciente, ligado ao Núcleo da Qualidade e Segurança do Paciente Corporativo (NQSP) da Pró-Saúde de São Paulo (SP).

Em linhas gerais, a governança clínica é uma “abordagem sistêmica’ de gestão hospitalar, reconhecida no final dos anos 1990, que tem como metas manter e melhorar a qualidade no cuidado ao paciente em serviços de saúde. Para isso, ela dá atenção às principais causas comprovadas dos erros de diagnósticos em serviços ambulatoriais: em 57% dos casos, o erro é motivado por descontinuidade no processo de solicitação de exames e análise posterior.

A inconsistência na coleta de dados sobre a história clínica de pacientes está ligada a 56% das ocorrências, seguida pela inconsistência no exame físico (47%) e pelas falhas em rever documentação prévia (17%). E em 84% dos casos, estudos apontam que uma ou mais destas quatro causas estiveram presentes em casos comprovados de erros de diagnósticos em serviços ambulatoriais.

Gestão – Quando um hospital estabelece um plano terapêutico, como trunfo para ganhar mais efetividade clínica – e garantir menores chances de erro em diagnósticos -, ele está sinalizando que priorizará ações e intervenções terapêuticas resultantes de discussões feitas por uma equipe multiprofissional, com base na condição clínica do paciente – e que deverão ser executadas de forma dinâmica, durante todo ciclo da assistência.

As bases do plano terapêutico envolvem a preocupação com o estabelecimento de diagnósticos mais multidisciplinares, com uma visão mais integral da saúde do paciente e as informações necessárias a serem garantidas a cada um dos focos de atenção; os aspectos de transição e continuidade dos cuidados médicos; a definição mais clara de metas assistenciais ligadas às necessidades de equipes médicas, pacientes e familiares; a mensuração e acompanhamento mais efetivo dos resultados clínicos; o acompanhamento e monitoramento da execução de todos os cuidados necessários.

Nova cultura – O consultor médico Fernando Paragó ressalta que os passos para implementação de um plano terapêutico em hospitais exigem avaliar o modelo a ser implantado conforme o perfil de cada instituição de saúde, adequar o prontuários de pacientes para que possam comportar registros transdisciplinares de atendimento e definir fluxos de execução e critérios de envolvimento da equipe. ‘É preciso começar pequeno, rever, ajustar e implementar’, sugere Paragó.

‘É necessário pensar o que não está funcionando e o por quê: se por inércia, falta de consciência, falta de acordo ou por fatores externos como desalinhamento de processos, tempo, dinheiro, disponibilidade de recursos. Provavelmente será preciso enfrentar vários problemas ao mesmo tempo’, ressalta o consultor médico da Pró-Saúde.

Neste modelo de excelência assistencial, pode-se garantir mais qualidade de atendimento e cuidados com menos tempo gasto e menores custos envolvidos. Além de melhorar a comunicação entre membros de uma mesma equipe de saúde, o modelo também oferece ao paciente assistência mais segura e monitorada, melhorando o seu fluxo pelos vários níveis de cuidados, e reduzindo também a incidência de eventos adversos, garante Paragó.