Em cerimônia inédita, Oncológico Infantil batizou crianças em tratamento

“A palavra batismo significa mergulhar em águas e voltar limpo, sem pecado, e também curado. A água é de Deus. Foi Deus quem a fez. A água é vida”. A palavras do cônego Ronaldo Menezes, da paróquia de São Geraldo Magela – que abriram a celebração realizada dia 25/3, um sábado de manhã, no segundo andar do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém (PA) -, resumiram o espírito de uma cerimônia inédita, que celebrou importantes vitórias contra o câncer na vida de três meninos (de 1, 9 e 12 anos), atendidos pela instituição.

Foi a primeira vez que o Hospital Oncológico Infantil sediou um batismo de crianças atendidas pela instituição. Familiares dessas crianças, e de outros pacientes, e colaboradores do hospital lotaram o espaço da brinquedoteca. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré também foi levada à cerimônia. O evento faz parte dos esforços de humanização do atendimento aos pacientes do hospital.

Filho de uma família de pequenos agricultores de Santo Antônio do Tauá e estudante da sétima série, J.V.T.S., de 12 anos, animava-se desde a véspera. “Minha mãe já comprou tudo branco para eu vestir”, sorria o garoto, que está internado, há um mês, em tratamento no Oncológico Infantil.

Foi dele a inspiração para a organização da cerimônia. Recentemente, ele expressou a vontade de ser batizado. A família comentou o desejo com a equipe do hospital, e a ideia foi abraçada pela unidade e pelos pais, Valéria Teófilo de Sousa, de 42 anos, e Odenilson Nascimento de Sousa, de 42 anos.
     O pequeno E.P.N., o mais novo entre os meninos batizados, tem um ano e nove meses de idade. Por ele, a família de Macapá (AP) mudou-se para Belém à procura de ajuda para tratamento especializado. O menino está sob os cuidados da equipe do Oncológico Infantil desde janeiro. Passou um mês internado e teve uma breve pausa na internação em fevereiro. Desde o início de março está internado novamente. Ele passa por cuidados para iniciar as sessões de quimioterapia. ”Uma pessoa batizada não tem medo de nada, e vai para o céu também”, justifica, sem pestanejar, a jovem mãe, Karen Pureza Neves, de 18 anos, sobre a motivação em fazer parte da cerimônia deste sábado.

M.S.C., de nove anos, fez aniversário no dia 16/3. Como lembrança pela data, um bolo foi levado pela equipe do hospital ao seu quarto. Quando soube que haveria a possibilidade de ser batizado, também no hospital, ficou muito animado. Neste sábado, cantou um hino religioso que já ensaiava a semana toda. Ao lado dos padrinhos eleitos – o garoto escolheu o enfermeiro Walace, a quem chama de Tio Walace, e a diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil, Alba Muniz – chorou, emocionado, durante a apresentação.

Há seis meses o menino foi diagnosticado, com um tipo de câncer conhecido como linfoma não-Hodgkin. Os linfomas são neoplasias malignas ligadas aos gânglios (linfonodos), as células que compõem o nosso sistema linfático – a rede complexa de vasos e pequenas estruturas que é importantíssima para defesa do organismo. Entre os linfomas, a neoplasia não-Hodgkin é o tipo mais incidente na infância, e a quimioterapia e a radioterapia são os mais importantes recursos contra a doença.

“Essa cerimônia foi tão bonita e significativa que vários pais já nos procuraram aqui, agora, nos pedindo para fazer o mesmo pelos seus filhos. Já estamos programando novos batismos. É algo que deve entrar agora para a agenda do hospital”, avaliou a diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil, Alba Muniz. Além da celebração religiosa, o hospital providencia o acesso fácil às certidões de batismo e também oferece às famílias um álbum digitalizado com fotos da cerimônia.

Referência
Mais de 600 crianças e adolescentes estão em tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, que é a maior referência no atendimento a pacientes de zero a 19 anos com câncer, no Pará. É, também, um núcleo que se tornou o maior entre centros de atendimento deste gênero no País. Isto, desde que foi aberto pelo Governo do Pará, em 12 de outubro de 2015, por meio de contrato de gestão firmado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) com a Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar.

O hospital impactou decisivamente o atendimento especializado e a luta contra o câncer voltado a jovens e crianças na região Norte. O Hospital Oncológico Infantil foi inaugurado já com 34 leitos e hoje dispõe de 89, somente para crianças e adolescentes. Por isso, hoje o Pará não tem fila para as internações ligadas ao tratamento do câncer a crianças e jovens da faixa etária de atendimento.

O universo geral de pacientes atualmente atendidos pelas rotinas diárias, mantidas pelo Hospital Oncológico Infantil de Belém, chega a 650 crianças e adolescentes. A expectativa média de convívio desses pacientes com a rotina do hospital pode durar até cinco anos. Neste contexto, ações de humanização do atendimento se tornam essenciais.

Ao todo, o Hospital Oncológico Infantil realiza cerca de 550 consultas por mês, para acompanhamento constante do esforço concentrado pela cura, além de 2.500 sessões mensais de tratamentos com quimioterapia. Dos 89 leitos disponíveis, dez são destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com média constante de 100% de ocupação. Os 79 leitos restantes têm uma rotina de 80% de ocupação diária, com média de 18 dias de internação. Ao todo, são cerca de 110 internações feitas a cada mês.

O hospital também fica aberto 24 horas por dia para atendimentos de pronto-socorro – são cerca de 20 diários. Por tudo isso, o Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo é considerado, hoje, o maior hospital oncológico pediátrico do Brasil, em volume de serviços.