Com pesquisa de engajamento, Oncológico firma metas para sustentabilidade

O Comitê de Sustentabilidade do Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo (Hoiol) realizou entre 27 e 31/3 campanha pela participação de seus colaboradores, fornecedores, usuários – e outros públicos interessados e relacionados às atividades do hospital – na pesquisa de engajamento da instituição. Esta pesquisa foi fundamental para que o Oncológico Infantil possa elaborar o seu primeiro relatório de sustentabilidade, nos moldes estabelecidos por certificação conferida pela organização internacional Global Reporting Initiative (GRI).

A pesquisa foi realizada por meio de formulário on-line e também em computadores instalados no prédio do Hospital Oncológico Infantil, localizado na travessa 14 de Abril, em São Brás, Belém (PA). A meta foi engajar os diversos públicos ligados ao hospital, para que ele avance em excelência de atendimento e em práticas sustentáveis.

Futuro sustentável
Em 2017, será a primeira vez que o Hospital Oncológico Infantil publicará o seu relatório de sustentabilidade, seguindo o modelo internacional da diretriz G-4 da Global Reporting Initiative (GRI). Para que o relatório do hospital seja passível de verificação, todo o processo de engajamento precisa ser documentado.

O questionário respondido ajuda a compreender interesses e expectativas de diversos públicos envolvidos pelas atividades do estabelecimento, que é referência no tratamento do câncer em jovens e crianças no Pará. A pesquisa foi feita de forma simples, com questionário que exigia poucos minutos. Nele, os participantes responderam sobre temas de seu interesse no hospital, ligados a aspectos econômicos, ambientais e sociais.

Reconhecida como um núcleo de colaboração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a organização internacional Global Reporting Initiative (GRI) foi criada, a partir de uma reunião de investidores em Amsterdã (Holanda), com o objetivo de elevar e qualificar as práticas de relatórios de sustentabilidade de empresas – de modo que esses documentos alcancem padrões e níveis de credibilidade e aferição equivalentes aos dos relatórios financeiros publicados por várias instituições e empresas em todo o mundo.

Hoje, três hospitais públicos paraenses já adotam planos de gestão que incluíram os parâmetros GRI para se estabelecerem como hospitais sustentáveis: além do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, e o Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, já iniciaram ações nesse sentido. Todos são geridos pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato firmado com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

A meta é enfrentar problemas como o manejo e a redução de resíduos, o consumo de água e energia e a emissão de gases relacionados ao efeito estufa – que agravam as mudanças climáticas, um problema já apontado por especialistas como o maior desafio à saúde no século 21.

Práticas melhores
Em hospitais sustentáveis, as pessoas atendidas e suas famílias são envolvidas de forma mais profunda na avaliação e na escolha de frentes de trabalho e rotinas que impactam nas operações desses estabelecimentos de saúde. Por isso, quanto mais sustentáveis, mais esses hospitais podem oferecer serviços melhores e com mais qualidade, com menos riscos a pacientes, familiares e ao ambiente.

‘A preocupação com a sustentabilidade traz para esses hospitais instrumentos para que possam refletir mais amplamente sobre seus impactos, sejam positivos ou negativos, sobre os pilares da sustentabilidade, que são o econômico, o ambiental e o social’, defende o consultor em sustentabilidade, Rodrigo Henriques.

Henriques lembra que a manutenção de hospitais sustentáveis pode custar até 35% a menos que as rotinas de hospitais convencionais. ‘Além disso, o fortalecimento da gestão, com ajuda das diretrizes de sustentabilidade, também é um ganho, além da busca pela excelência da qualidade de atendimento e da redução de riscos para trabalhadores, pacientes e suas famílias e também para a sociedade de um modo geral’, ressalta Alba Muniz, diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil, enumerando, ainda, outras vantagens que vão além da diminuição dos impactos ligados ao ambiente.

O hospital deu início ao processo de construção do Relatório de Sustentabilidade GRI de 2016 com a abertura do seu Comitê de Sustentabilidade e, também, com a elaboração do plano diretor e da Política de Sustentabilidade – que estabelecem diretrizes para gestão, meio ambiente, público interno, pacientes, sociedade e fornecedores.