Hospital Oncológico Infantil realiza cirurgia inédita no Norte do país

Referência para o diagnóstico e tratamento especializado do câncer em crianças e adolescentes, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, comemora o resultado positivo de uma cirurgia realizada pela primeira vez para na região Norte do país, para o tratamento de tumores ósseos. Conhecida como Frozen Bone, a técnica cirúrgica é uma alternativa para tratamento de alguns tipos de tumor ósseo, após a quimioterapia.

Desenvolvido no Japão, o procedimento usa o nitrogênio líquido em uma temperatura abaixo dos 100 graus negativos para o congelamento do osso ou a parte dele atingida pelo tumor. Em seguida, o osso é mergulhado em água destilada para o descongelamento e a retirada do tumor, antes de ser reimplantado no paciente com ajuda de placas e parafusos.

Médico responsável pela equipe de ortopedia no Hospital Oncológico Infantil, Fernando Brasil explica como o resultado positivo da cirurgia será importante para a preservação da qualidade de vida do paciente que tem apenas 10 anos. “Quando a cirurgia se torna a única opção para o tratamento, a gente sempre busca técnicas e alternativas que possam preservar o membro e a qualidade de vida do paciente. Nesse caso, tínhamos poucas opções de uma cirurgia preservadora e a substituição do osso por uma prótese seria incompatível com o potencial de crescimento que a criança tem. Optamos então essa técnica de reciclar o osso no nitrogênio, preservando vitalidade do membro”, disse Fernando.

Além da equipe de médicos, enfermeiros, anestesista e técnicos de enfermagem do Hospital Oncológico Infantil, unidade gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), a cirurgia que durou mais de 5 horas, teve também a participação do médico ortopedista Marcelo Souza, do Hospital de Câncer de Pernambuco.

Especialista na utilização da técnica de congelamento ósseo, ele explicou a complexidade do procedimento e os avanços para o tratamento de outros pacientes a partir da utilização da técnica. “O Hospital inicia uma importante curva de aprendizado com a realização desse primeiro procedimento. É uma técnica que, apesar de ter restrições de aplicação, é fundamental para preservar o potencial de crescimento e a qualidade de vida do paciente, principalmente nos casos que envolvam crianças”, destacou Marcelo Souza.

Considerado raro e representando 2% do total de cânceres diagnosticados, o câncer ósseo possui um alto índice de mortalidade, atingindo principalmente crianças, adolescentes e idosos. Por isso, o médico Marcelo Souza faz uma alerta sobre a importância do diagnóstico precoce. “Em Pernambuco, este o mês em que desenvolvemos a campanha Abril Amarelo para chamar a atenção da sociedade sobre a necessidade de conscientização sobre os tumores ósseos. Assim, além de um diagnóstico precoce, o paciente pode ser encaminhado para tratamento em local adequado, dando a ele maiores possibilidades de cura”, complementou Souza.

Recuperação
Ao lado da mãe Luana Oliveira de Souza, o jovem Alan Vinicius de 10 anos se recupera da cirurgia realizada há pouco mais de 10 dias, com acompanhamento médico, fisioterapia e estudos, como já fazia antes do procedimento. “Estou bem. Quase não sinto dor. Gosto da professora e das enfermeiras”, conta Alan entre um exercício e outro.

Para a mãe, os dias recuperação também trazem um alívio pelo resultado da cirurgia inédita. “Por ele ser o primeiro, é claro que tive um receio, mas também não deixava de ter esperança, porque eu vi todo mundo do Hospital se mobilizando para que a cirurgia fosse realizada. E hoje sentimento que tenho é de gratidão e esperança que a gente possa seguir uma vida normal”, conta a Luana que tem acompanhado o filho durante os nove meses de tratamento no Hospital Oncológico Infantil.

Sobre o Hospital Oncológico Infantil
O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é uma unidade pública de saúde referência no tratamento e diagnóstico do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos, na região Norte do país, com atendimento gratuito realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sem filas.
Inaugurado em 2015, o Hospital conta com 89 leitos de internação, sendo 10 destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em três anos foram mais de 800 mil atendimentos realizados, entre eles 87.384 sessões de quimioterapia e 41.049 consultas, com média de 95% de aprovação dos usuários.

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